Madness Ends

Capítulo 4

Tive uma espécie daqueles surtos psicóticos enquanto voltava para casa. Comecei a chorar e tremer. Precisei estacionar o carro e ficar vinte minutos com a cabeça imprensada contra o volante, imaginando Ryan dentro de um caixão. Imaginei o que aconteceria se ele acordasse lá dentro e ficasse se debatendo até morrer de novo.

Dirigi até em casa e, assim que cheguei, fui direto para o sótão procurar algumas caixas. Assim que encontrei fui até meu guarda roupa e comecei a jogar as roupas para fora — pela segunda vez no mês. Fiquei mais ou menos duas horas empacotando o que eu queria levar de imediato, só o básico. Não queria passar mais uma noite naquela casa. Peguei as roupas e pertences pessoais, então liguei para Samantha e, hesitante, perguntei a ela se ainda tinha algum quarto e fiquei torcendo para que ela dissesse que sim. Ela disse que sim. Combinei que em meia hora passaria na casa dela e por lá ficaria e, felizmente, eu tenho uma ótima amiga.

                ****

Era fim de tarde de um domingo ensolarado de primavera, estávamos sentados naquele jardim lindo — ainda mais lindo, contando que estávamos na primavera. Dessa vez as mãos de Ryan não estavam debaixo da minha cabeça, e sim na minha perna. Ele acariciava lentamente minha coxa, enquanto eu beijava seu rosto e cheirava seu pescoço. Ele tinha um cheiro bom, eu poderia descrever como aquelas coisas cheirosa, mas, não sei, não consigo comparar o cheiro de Ryan com nada (ainda mais porque ele nunca me disse o nome do seu perfume). Estava rolando um clima legal, mas ele parecia meio distraído, com os olhos desfocados. Só notei que ele sabia que eu estava ali quando ele fez a pergunta.

— O que você faria se eu morresse agora?

Fiquei em silencio por alguns segundos pensando que tipo de pergunta era aquela e que tipo de resposta uma pergunta dessas merece. Respirei fundo e soltei um riso sem graça antes de dar a resposta.

— Se você morresse agora, provavelmente eu faria uma festa.

                ****

Enquanto dirigia até a casa da Sam, o telefone tocou. Estacionei o carro e vi quem ligava.

— Sam?

— Oi, Alaska. Olha, vou ter que sair, a chave está embaixo do tapete, sinta-se em casa. — Disse ela com certo tom de pressa. Samantha estava ofegante, como se estivesse correndo.

— Ok. Aconteceu algo? — Me preocupei com ela, mas depois do “ok” ela já havia desligado.

Dirigi em silencio até sua casa, que agora também seria minha. Admito que estava um pouco aflita, sentia um nervosismo — um tipo estranho de nervosismo, me sentia assistindo a um filme de terror quando você se prepara para levar um susto e fica com aquele sentimento estranho, mas o susto não chegava. E o sentimento ruim continuou.

Assim que cheguei á casa da Sam, olhei bem o local. Era uma sala grande, dois sofás espalhados no meio, um tapete cinza cobrindo o chão de madeira, uma bancada que dividia a sala e a cozinha, do outro lado, quatro quartos e um banheiro. Atravessei a porta de vidro ao lado da TV e entrei na varanda que era da mesma extensão que a casa. Me sentei em uma cadeira e fiquei alguns minutos olhando para o céu azulado. Depois de alguns minutos fui para o quarto, tinha um aviso na porta de um dos quartos, indicando que ele era meu. Entrei e coloquei algumas mudas de roupa de qualquer jeito no guarda roupa, coloquei as caixas num canto da parede e fui para o chuveiro. Pela primeira vez em dias tomei um bom e demorado banho, sentia como se estava lavando a alma e me livrando de todos aqueles pensamentos e falta de pensamentos da semana passada. Estava me livrando daquele sentimento de culpa pela morte do Ryan, eu não podia me livrar da falta que ele fazia para mim, mas sabia que conforme os dias iam passando, ela amenizava. E um dia, quando eu acordasse, Ryan seria somente uma lembrança vaga na minha mente, porque é isso o que acontece quando você perde alguém. A parte boa de saber que nada é para sempre, é que sabemos também que a dor não é para sempre.

Deitei na cama e dormi.

Ele parecia ainda mais lindo agora, depois de dias sem vê-lo. Seus olhos estavam um pouco mais azuis, sua pele um pouco mais clara e seu cabelo um pouco mais escuro, tudo nele parecia um pouco mais realçado. Seu sorriso.  Não conseguia desvencilhar-me do seu sorriso distante, mas tão próximo. Ele entrou no quarto e caminhou cuidadosamente até o pé da cama e se deitou ao meu lado.

Ele vestia uma camiseta azul de manga comprida, a mesma que usava na manhã que reconheci seu corpo.

Ele passou a mão pela minha cintura e aproximou seu corpo do meu. Eu estava a somente algumas camadas de roupa dele e mesmo assim tão distante. Eu podia sentir sua respiração na minha nuca, por alguns segundos, enquanto sua respiração gelada me levava para uma espécie de paraíso na minha mente, cheguei acreditar os últimos dias haviam sido apenas um sonho e o agora era real. Eu desejei que o agora fosse real.

— Por que você foi? — Minha voz estava confusa, meio torcida, como se eu tivesse tentado falar tossindo, mas foi tudo o que consegui falar.

Ele colocou sua cabeça no meu pescoço, roçou a ponta do cabelo na minha cabeça e ficou lá, deitado ao meu lado.

Acordei meio tensa. Sentia minhas pernas tremulas e meu coração acelerado. Me arrastei até o pé da cama e fiquei chacoalhando os pés para a fora, encarando a porta esperando ela ser aberta, mas não foi. Coloquei a cabeça entre as mãos e comecei a chorar.

Depois de dez minutos tomei outro banho um pouco mais demorado. Não chorei no banho, mas passei a maior parte do tempo com um olhar vazio para a parede.

                               ****

Cheguei á casa de Peter ás 20h00min. Ele morava em um condomínio fechado, uma casa bem ajeitada, um lugar calmo, bom para se viver. Fruto de uma vida esforçada.

Ele tinha um sorriso acolhedor quando abriu a porta, usava uma camiseta folgada, sem estampa e seu cabelo estava bagunçado.

— Sinta-se em casa — entrei em silencio e dei alguns passos até a sala. — E então, quer comer alguma coisa?

— Não, não, to legal. — Me sentei no sofá e ele se sentou ao meu lado. Na televisão estava passando um filme de suspense que eu não sabia o nome, mas que já havia assistido. Mostrava uma mulher na banheira e alternava para alguém percorrendo um corredor até chegar até ela. Fiquei olhando para a TV, tentando pegar o fio da meada. — Peter — me virei para ele e ele se virou para mim —, eu queria me desculpar pela maneira como te tratei aquele dia, está bem?

— Tudo bem — disse ele passando a mão no meu ombro. — Eu também quero te falar uma coisa, Alaska. Parece meio banal agora, mas é algo que eu sempre quis te falar e, particularmente, nunca te contei porque me sentia mal por causa do Ryan. Alaska, eu te amo e sempre te amei. Isso é patético, mas desde o primeiro ano de faculdade, eu sou apaixonado por você. Eu sempre quis que você soubesse, mas fui um babaca idiota e o Ryan tomou a frente, mas eu sempre te amei.

Tirei minha mãe de perto da dele e me levantei, ele se levantou, mas eu me afastei.

— Peter, não há quinze dias desde a morte do seu irmão. Desde a morte do meu namorado e você está falando que me ama? Caralho, cara, eu vim aqui por causa da nossa amizade, não viaja. Eu amava o Ryan, não no pretérito, eu o amo e não quero nada com você.

— Ryan morreu, as pessoas se vão e a vida não pode parar por essas pessoas, Alaska. As pessoas estão superando a morte dele e, para falar a verdade, estão aliviadas. Ninguém mais tem que se preocupar com o que o Ryan faz ou deixa de fazer, o Ryan era um peso na vida das pessoas e não é mais. Ninguém falou isso, ninguém teve coragem para falar isso, mas as pessoas já superaram. Foi uma fatalidade, mas a vida não pode parar.

Sem olhar no seu rosto, fui embora.

e ai? alguém leu o cap 3? ficou legal?

when Gary met Tony - best of

(Source: mishasteaparty)

(Source: hautecocouture)

Minhas webs favoritas

Ainda não terminei todas pq sou muito lerdo hehe mas as webs que ando lendo e recomendo:

postcars from 1952

circodonovan

precisousblood

itsaboutlyla

Bom, depois faço um recomendo bonitinho, mas por enquanto são essas.

(Source: natashakline)

Capítulo 3 - Untitled

No nono dia eu já não sentia mais aquele desespero consumidor por ter perdido Ryan, mas o vazio que parecia pesar mais de uma tonelada continuava. Mesmo ainda não conseguindo dormir bem e não me alimentando bem, resolvi sair da maré de tristeza na qual eu ficava me prendendo. Logo que acordei tomei um banho igual não tomava há mais de uma semana. Me vesti e então fiz duas ligações, a primeira foi para Sam e Alex (que moram juntos).

— Olá, Alaska — Sam atendeu.

— Como sabia que era eu? — Me sentei na cama e liguei a TV do quarto, estava passando um programa sobre sexo (não era pornô).

— Eu só sabia.

— Nossa, sou tão imprevisível.

Samantha riu.

— Então, o que aconteceu? — Perguntou ela, então ouvi um barulho no fundo, como se fosse uma panela caindo, e ela disse: — Não foi nada, Alexandro está cozinhando.

Sorri.

— Estão ocupados hoje? Estava querendo sair…

— Precisamos por o trabalho em dia, foi uma semana cheia — e realmente havia sido —, está sendo uma semana cheia. Podemos nos ver amanhã?

— Ok.

— Fique bem — disse ela em um tom super protetor.

— Estou bem.

— Era para eu acreditar?

Desliguei o telefone, coloquei na cabeceira da cama e fiquei com os olhos na TV, mas não prestei muita atenção no que a mulher peituda dizia. Meu pensamento ainda estava nas tardes de faculdade, depois da aula quando Ryan saía mais cedo para ir me buscar na minha sala — ele dizia que tinha medo que outro garoto mais bonito me levasse até meu quarto e eu sempre ria da cara dele.

Pensar em Ryan me lembrou Peter e na maneira como fui estúpida com ele. Desde aquela tarde em que o mandei embora e ele não voltou mais, nem ligou. Então resolvi ligar para me desculpar.

— Alô — ele parecia ainda estar dormindo.

— Peter?

— Quem está falando.

— Sou eu, Alaska. Estava dormindo, eu posso ligar depois. — Eu estava falando em um tom meio acelerado.

— Não, tá tudo bem. Já estava na minha hora mesmo.

— Podemos conversar hoje? — desliguei a Tevê e caminhei até a sala, esperando pela resposta.

— Olha, daqui a uma hora tenho que ir para o estudio, então só a noite. Agora?

— Não, tenho que fazer algo agora. — Me senti culpada por falar que não, mas eu não estava mesmo a fim de vê-lo agora. — Te vejo às sete horas?

— OK — ele parecia meio seco.

                ****

Encarava a foto de Ryan estampando a primeira página de um jornal — uma matéria que eu nunca quis ler — enquanto caminhava até a garagem. Entrei no carro e dirigi por quarenta minutos em silêncio, até avistar o corpo de bombeiros. Estacionei o carro e caminhei lentamente por quase dois minutos até entrar no amplo salão vermelho cheio de bombeiros. Assim que entrei uma mulher vestida com aquela roupa típica de bombeiros veio na minha direção.

— Posso te ajudar? — disse ela cruzando os dedos. Encarei o começo da reportagem mais uma vez, então me voltei para a mulher.

— Posso falar com o Steve, ou algo assim? Acho que é esse o nome, desculpe, eu… — tentei encontrar uma maneira de dizer que eu não queria ler a matéria sobre a morte de Ryan, que só queria falar com um bombeiro, mas fui interrompida.

— Um segundo.

A mulher se afastou de mim e foi em meio a uma dúzia de bombeiros. Notei que ela era a única mulher e estava falando alguma coisa baixa em meio aquela dúzia de homens. Logo depois que ela se virou para um homem em especial, ele começou a caminhar na minha direção.

— Sou o Steve, eu matei alguém? — Steve era alto e tinha cabelos curtos, meio brancos. Um rosto meio rude, mas parecia ser boa pessoa. Tinha algumas rugas que se rastejavam pelo rosto e muitas marcas de expressão na testa e nas bochechas. Tinha um bronzeado que me deixava em duvida se era da praia ou de incêndios.

— Não — falei meio tímida. — Você conhece esse homem? Ryan Walker?

— Acho que conheci em um incêndio. Ele estava naquela boate que queimou semana passada, não estava?

Assenti e voltei os olhos para a reportagem.

— Você sabe como ele morreu?

— Só sei que ele morreu no incêndio, porque a manchete diz isso. Não consigo me lembrar do rosto de todos os que já tentei salvar, garota, mas posso te garantir que ele não queimou até a morte — uma parte daquela tonelada que havia dentro do meu peito se esvaiu. — Foram dezoito mortos, só três morreram por causa do fogo e esse Ryan não estava entre eles.  Só me lembro do rosto desses três.

— Obrigada — falei dando meia volta e me dirigindo á porta novamente.

— A médica legista que fez a autopsia nele está a algumas quadras daqui, você pode ir até lá.

                ****

Abri a porta do necrotério pela segunda vez na semana e avistei uma mulher loira com um jaleco branco folheando uma revista. Ela estava sentada de frente para vários corpos e me olhou para mim assim que entrei na sala nem sem pedir licença. Avancei em sua direção e parei na sua frente, encarando seu olhar confuso.

— Quem é você? — Perguntou ela, soltando a revista em uma maca vazia.

— Você se lembra desse homem? — Coloquei a foto de Ryan em sua direção, ela avaliou a foto por alguns segundos, então se voltou para mim. Parecia um pouco assustada, mas tentava esconder com sorrisos tortos.

— Não sabia que é falta de educação responder uma pergunta com outra?

— Acabou de responder minha pergunta com outra pergunta — não respondi a seus sorrisos. — Isso é muito importante. Você se lembra dele?

— Me lembro de todo rosto que já vi na vida e, sim, me lembro. Ele morreu num incêndio semana passada. Com o que posso ajudá-la?

— Como ele morreu? — Mesmo que ela não tivesse mandado, peguei uma cadeira e me sentei ao seu lado.

— Você não devia estar aqui — disse ela, sem nenhuma expressão. — Mas eu respondo sua pergunta, sei como deve estar se sentindo.  Ele correu para o banheiro quando viu o incêndio e lá morreu sufocado.

— Ele agonizou? Sentiu muita dor? — Admito que só notei como minha pergunta era estúpida depois que já havia perguntado e não havia mais como desfazer.

— Ele morreu, certamente sentiu dor. Seu pulmão se encheu lentamente de sangue, ele agonizou e lutou por ar. Ele bateu a cabeça na parede, mas não foi nada grave. Ele não havia ingerido álcool, nem algum tipo de droga. Ele estava completamente sóbrio.

— Sóbrio? Que horas foi o incêndio?

— Mais ou menos ás quatro da manhã.

Não falei nada, fiquei tentando absorver todas as informações que ela havia dito. Por que ele estava sóbrio ás quatro da manhã em uma festa? Segundo ela ele havia sentido seu pulmão se encher de sangue e lutou por oxigênio. Ele havia sentido o desespero da morte.

Com a cabeça cheia e o peso pela morte dele voltando, me levantei  e caminhei até a porta sem dizer nenhuma palavra.

— Eu tenho uma pergunta — me virei imediatamente para ver o que ela queria perguntar. — Ele tinha algum irmão?

— Ele tem um — respondi.

— Ele se parece muito com o morto? — Fiquei pensando que tipo de pergunta era aquela, mas não encontrei nenhuma resposta.

— Nem um pouco.

A feição da médica virou uma mistura de perplexidade e confusão. Não perguntei o motivo da pergunta, só virei as costas e sai.

Oieeee (gosto de falar oieeee)

as asks que envio não chegam

isso é triste

e vou postar o capítulo 3

isso é feliz

eu acho

porrape sent: Oii! Vim te chamar pra ler minha web! Hehe bjão e foi mal qlqr coisa

vamos lwe!!!

CAP 2 POSTADO

Agora sim eu postei!!!! E, bom, o capítulo é meio que um resumo da primeira semana depois que a Alaska descobriu sobre a morte do Ryan, tá um drama, como esperado, mas eu juro q a chatice acaba no capítulo 5. Façam um esforço para ler pelo menos até o 6 hehe

E se curtir, like, né. E todos que lerem podem opinar na ask hehehe